O linchamento de um inocente no Paraná nos recorda que, no ímpeto de "fazer justiça", o homem muitas vezes acaba por multiplicar a injustiça.
No último dia 26, em Ponta Grossa (PR), a vida de Deivison Andrade de Lima, de apenas 23 anos, foi interrompida. Não por um acidente, nem por uma doença, mas pelas mãos de pessoas que, cegas pela dor ou pelo ódio, decidiram que eram juízes e carrascos. Acusado injustamente de um crime que as câmeras e a investigação provaram ter sido cometido por outro, Deivison pagou com a vida por um erro de julgamento alheio.
A ilusão da "Justiça com as Próprias Mãos"
Vivemos dias de alta tensão. A sensação de impunidade e o medo constante geram um ambiente onde o discernimento é substituído pelo instinto. No entanto, o "justiçamento" popular é a negação da própria justiça. Enquanto a justiça busca a verdade e a proporcionalidade, a vingança busca apenas o alívio imediato de uma fúria — e, como vimos no Paraná, essa fúria é cega.
Quando indivíduos decidem punir alguém sem o devido processo, eles não estão combatendo o crime; estão cometendo um novo. Transformam-se naquilo que dizem odiar.
O limite humana e a soberania divina
Para quem busca orientação na fé, a Bíblia é clara e direta sobre este impulso: "Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor" (Romanos 12:19).
Essa não é uma frase de passividade, mas de profunda sabedoria sobre a limitação humana. O conceito bíblico de que a vingança pertence a Deus fundamenta-se em três pilares que nos faltam:
Consequências irreparáveis
A morte de Deivison deixa um rastro de destruição que vai além da perda de uma vida jovem:
Um convite à reflexão
O verdadeiro assassino de Kelly Cristina foi identificado por câmeras e provas técnicas — um homem de 43 anos que já confessou o crime. Se o linchamento de Deivison tivesse sido "bem-sucedido" na visão de seus autores, o real culpado continuaria solto, e dois inocentes teriam sido vitimados: Kelly e Deivison.
Que este caso doloroso sirva para nos lembrar que a paz não se constrói com sangue, e que a justiça, para ser real, precisa de paciência, prova e humanidade. Diante da dúvida e do ódio, que saibamos silenciar e permitir que as autoridades e a justiça divina sigam seus cursos. Pois, uma vez que a mão se fecha em punho e golpeia o alvo errado, o erro é eterno.