Ele chegou à região no início da década de 80, quando Castanheira ainda dava seus primeiros passos.
Há homens que passam pela vida em silêncio, mas deixam marcas que o tempo não apaga. Como já se disse, “existem pessoas que não apenas vivem — elas constroem valores raros, daqueles que sustentam gerações”. Nesta terça-feira, Castanheira se despede de um desses homens.
Faleceu em Cuiabá, onde estava em tratamento de saúde, Jaime Bruno, um dos grandes pioneiros do município. Nascido em Santana dos Garrotes, na Paraíba, em 10 de março de 1948, ele escreveu sua história com as próprias mãos, guiado pela força do trabalho, da fé e da família.
O corpo deve chegar a Castanheira por volta das 22 horas e será velado na Casa da Saudade.
Uma vida construída no esforço e na coragem
Quem teve o privilégio de ouvir suas histórias conheceu de perto a essência do povo nordestino: a resistência, a esperança e a coragem de recomeçar quantas vezes fosse necessário.
Jaime chegou à região no início da década de 80, quando Castanheira ainda dava seus primeiros passos. Em 02 de agosto de 1983, fincou raízes definitivas em uma terra que ainda tinha poucas casas e muitos desafios. Ali, ao lado da esposa Osmerinda e dos filhos, enfrentou dificuldades que hoje parecem distantes, mas que moldaram uma geração inteira.
Foram tempos de abrir a terra “no braço”, de caminhar longas distâncias, de enfrentar o medo nas estradas de chão e até a presença constante de onças. Foram tempos em que tudo era escasso — menos a vontade de vencer. E venceu.
No Sítio Campina Verde, construiu não apenas uma propriedade produtiva, mas um símbolo vivo da agricultura familiar. Leite, ovos, farinha, rapadura, pão, carne — tudo brotava do esforço coletivo de uma família unida, onde cada filho aprendia desde cedo o valor do trabalho.
O homem por trás da história
Mas Jaime Bruno não foi apenas um trabalhador incansável. Foi pai, esposo, vizinho, conselheiro e referência.
A propósito de sua luta, a pecuarista Leia,em contato com o Castanheira News, registrou palavras que hoje ecoam com ainda mais força: “Senhor Jaime Bruno carregou nas mãos a força do trabalho diário, criou a família com muita honestidade, dignidade, coragem e dedicação em cada tarefa, pois é o trabalho honesto que forma as pessoas boas, sérias e honestas”.
Sua história também era feita de memórias simples e profundas: a infância em meio a uma família numerosa no sertão paraibano, o casamento ainda jovem, a fé herdada e cultivada — com devoção a Nossa Senhora Aparecida e ao Padre Cícero — e o orgulho de cada conquista construída passo a passo.
Um legado que permanece
Hoje, o silêncio da despedida contrasta com a grandeza de uma vida inteira de lutas e vitórias. Jaime parte, mas deixa um legado que permanece vivo em cada pedaço de terra cultivado, em cada filho, em cada história contada à sombra da varanda de sua casa.
Castanheira não perde apenas um pioneiro. Perde um símbolo. E enquanto o tempo segue seu curso, fica a certeza de que homens como Jaime Bruno não desaparecem — eles permanecem, enraizados na memória de um povo que aprendeu, com eles, que dignidade, coragem e trabalho são heranças que não se apagam.
José Ivanildo de Souza
Aí se foi um grande amigo um homem honesto e trabalhador que Deus console aos familiares.