Entre tantos nomes, Mabel lembra uma questão de pertencimento
A pulverização dos votos talvez seja um dos maiores desafios enfrentados pelo eleitor do Noroeste de Mato Grosso. Em uma mesma região, especialmente em Juína e municípios vizinhos, multiplicam-se os nomes de candidatos que buscam representar a população na Assembleia Legislativa. Ao mesmo tempo, candidatos de outras regiões chegam trazendo a conhecida promessa de recursos, especialmente por meio de emendas parlamentares. As emendas são legítimas e importantes instrumentos do mandato, mas existe uma questão anterior a elas: quem conhece, de fato, a realidade cotidiana de quem vive aqui?
Dinheiro público pode chegar a qualquer município. O que nem sempre chega, porém, é a presença de quem conhece a estrada, a distância, as dificuldades do produtor, as necessidades da saúde, os desafios da educação, as limitações da infraestrutura e as demandas sociais que não aparecem em uma planilha. Representar uma região não deveria significar apenas anunciar recursos depois que eles chegam. Significa conhecer suas necessidades antes, acompanhar as demandas, dialogar com quem decide e transformar conhecimento da realidade em articulação política.
É nesse ponto que o nome de Mabel ganha uma dimensão regional. Candidata a deputada estadual, ela não chega à disputa como alguém que descobriu agora o Noroeste de Mato Grosso. Sua história está ligada à região. Foram duas gestões à frente da Prefeitura de Castanheira, entre 2013 e 2020, período em que participou diretamente de um processo de transformação da infraestrutura urbana e rural do município. Hoje, sua atuação social em Juína, especialmente junto à Associação Pequeno Pepe e à causa autista, acrescenta uma nova experiência à trajetória construída anteriormente na administração pública.
Há, ainda, uma característica menos visível, mas decisiva para quem pretende exercer um mandato: a capacidade de articulação. Quem acompanhou sua passagem pela Prefeitura de Castanheira conhece relatos de deslocamentos a Cuiabá e Brasília em busca de recursos e soluções, muitas vezes insistindo no diálogo, esperando o tempo necessário para ser recebida e apresentando pessoalmente as necessidades do município. Não é apenas estar presente na fotografia de uma conquista. É fazer o caminho anterior para que a conquista aconteça.
Boa parte da Castanheira que existe hoje começou a ser construída naquele período. Pavimentação, infraestrutura, espaços públicos, investimentos na área da saúde, equipamentos, obras e ações voltadas ao meio rural compuseram um conjunto de iniciativas que ajudaram a modificar a realidade do município. Muitas delas tiveram continuidade nas administrações seguintes — algo que também precisa ser reconhecido como parte do processo de desenvolvimento de Castanheira. Uma cidade não é construída por uma única gestão, mas por uma sequência de esforços que se somam.
É justamente essa experiência que Mabel leva para uma candidatura que pretende ultrapassar os limites de um município. Ela conhece a máquina pública por dentro, conhece o caminho da articulação e, sobretudo, conhece pessoas e realidades da região. E sua atuação atual em Juína acrescenta outra dimensão: a experiência de quem voltou seu trabalho para uma causa social que exige sensibilidade, conhecimento e capacidade de mobilização, como a inclusão das pessoas com autismo.
A discussão, portanto, não deveria ser apenas sobre quantos candidatos existem ou sobre quem consegue anunciar mais recursos. Deveria também passar por uma pergunta simples: que tipo de representação o Noroeste deseja ter na Assembleia Legislativa? Uma representação que apareça eventualmente para anunciar uma emenda ou uma representação que tenha raízes na região, conheça seus problemas e possa levar suas demandas para dentro do debate onde são tomadas decisões que afetam o futuro de Mato Grosso?
Mabel tem insistido nessa segunda ideia durante uma campanha de rua, próxima das pessoas, percorrendo municípios e conversando olho no olho. E talvez esteja aí uma das razões pelas quais seu nome merece ser colocado na reflexão do eleitor regional: ela não precisa conhecer o Noroeste por relatórios para falar sobre ele. Ela traz consigo uma história construída aqui.
No fim, a escolha é do eleitor. Mas, diante da pulverização dos votos, talvez valha lembrar uma coisa elementar: uma região não se fortalece apenas quando recebe recursos; fortalece-se quando tem quem conheça sua realidade, defenda suas necessidades e tenha disposição para lutar por elas. É por isso que, para o eleitor do Noroeste, a candidatura de Mabel pode ser vista não apenas como mais um nome na disputa, mas como a possibilidade de levar à Assembleia alguém cuja história política e social já foi construída dentro da própria região.