Um registro precioso da nossa editoria "A História da Foto" resgata a imagem da primeira fanfarra da cidade
As fanfarras e bandas marciais moldaram a alma das celebrações cívicas no Brasil, consolidando-se como uma das tradições mais vibrantes do nosso calendário, especialmente nas cidades do interior. É difícil encontrar alguém que não guarde na memória o eco rítmico dos tambores e o brilho dos metais em um 7 de setembro. Naquela época, o tempo parecia parar: multidões se acotovelavam às margens das avenidas, em uma espera ansiosa e festiva, apenas para sentir o chão vibrar quando a fanfara finalmente apontava na curva da rua, regendo o orgulho de toda uma comunidade.
Em Castanheira, esse sentimento não foi diferente e deixou rastros de saudade. Um registro precioso da nossa editoria "A História da Foto" resgata a imagem da primeira fanfarra da cidade, pertencente à Escola Estadual Maria Quitéria. Na fotografia, que transborda nostalgia, vemos o grupo de alunos perfilados com seus instrumentos; à frente deles, conduzindo o ritmo daquela juventude, estaria a professora Márcia, segundo fontes locais. Como disse certa vez o poeta Carlos Drummond de Andrade: "As coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão", e é essa beleza do que foi vivido que a imagem nos devolve hoje.
Esse resgate, porém, pode ser mais do que apenas uma lembrança em papel. O prefeito Jakson de Oliveira Rios Junior, o Juninho, é entusiasta da ideia de recuperar tradições que fortalecem a identidade castanheirense. Sob esse olhar cuidadoso, nasce a esperança de que a fanfarra da Escola Maria Quitéria — agora sob o dinamismo da diretora Sandra — possa, quem sabe, voltar a romper o silêncio das tardes da cidade. O retorno dos ensaios não seria apenas o ensinamento de notas musicais, mas o renascimento de um brilho que sempre abrilhantou nossos eventos cívicos e uniu gerações.
É importante ressaltar que, enquanto a fanfarra escolar aguarda o seu novo despertar, o compasso não parou totalmente. O grupo Desbravadores, da Igreja Adventista do Sétimo Dia, tem sido o guardião dessa chama, ocupando com maestria e disciplina o lugar deixado após as últimas apresentações da Maria Quitéria. Eles mantêm viva a marcha e o espírito cívico, garantindo que o som da tradição continue ecoando por nossas ruas.