Este texto busca homenagear a memória de Elizeu Rezzieri, celebrando seu legado como pioneiro e desbravador.
A imagem que hoje carrega a memória de Elizeu Rezzieri, com sua camisa vermelha, não é apenas uma fotografia, mas um símbolo do esforço e da coragem de um homem que dedicou sua vida à construção de um futuro para uma região ainda tomada pelas matas e pelo isolamento. A foto, tirada em uma de suas várias incursões com suas máquinas, narra a história de um verdadeiro desbravador, que foi responsável por abrir estradas, transportar pioneiros e ajudar a estabelecer as bases do que hoje é Castanheira, no coração de Mato Grosso.
Elizeu Rezzieri, falecido no dia 16 de maio de 2018, aos 76 anos, foi um dos pioneiros mais influentes da região noroeste de Mato Grosso. Natural de São Lourenço do Oeste, em Santa Catarina, ele chegou à região de Castanheira em 1972, quando a área era ainda um vasto território de florestas, com pouca infraestrutura e sem as condições mínimas para o desenvolvimento de atividades econômicas. Contudo, foi ali, em meio ao mato e ao desconhecido, que ele decidiu investir, com sua visão empreendedora e espírito desbravador.
Com a fundação da Madeireira Rezzieri, Elizeu se tornou um dos maiores responsáveis pela geração de empregos e pelo avanço econômico da região. Mas sua contribuição foi além do setor madeireiro. “Ele não foi apenas um empresário, foi um desbravador que construiu caminhos para todos, especialmente os pioneiros da região”, lembra Zilda Stangherlin, sua cunhada e primeira prefeita de Castanheira.
A Balsa de Elizeu tornou-se um símbolo da mobilidade na região. Através dela, milhares de pioneiros conseguiram atravessar o rio e seguir para seus destinos, muitos indo para lugares distantes, enfrentando os picadões e estradas inexploradas que Elizeu, com seu maquinário, abria pelo caminho. As balsas e as estradas de Rezzieri conectaram o município a Fontanillas e permitiram o fluxo de pessoas e mercadorias, dando forma a um novo ciclo de vida para aqueles que se lançavam ao desafio de desbravar o interior de Mato Grosso.
“Ele fez muitas estradas e, com isso, ajudou não só a sua madeireira, mas as outras empresas menores que não tinham o maquinário necessário para transportar sua produção. Ele favoreceu a todos, criando uma rede de acesso para o desenvolvimento local”, afirma Zilda. As estradas abertas por Elizeu não só conectaram os centros urbanos, como também foram fundamentais para o transporte da matéria-prima das madeireiras, garantindo a vitalidade econômica da região.
Além de sua contribuição no campo econômico, Elizeu também foi um grande aliado no campo político. Sua atuação foi crucial para a emancipação de Castanheira, que até então fazia parte de Juína, e ele apoiou ativamente a eleição de Zilda Stangherlin, a primeira prefeita do município, em 1988. Seu legado político e social, no entanto, vai muito além das urnas, marcando a vida das pessoas que passaram a confiar nele como um líder.
Sua importância foi tão reconhecida que, após seu falecimento, a Câmara Municipal de Castanheira registrou sua morte como a perda do "maior desbravador" da história local,
“Foi um desbravador. Ele abriu estradas, transportou pioneiros e foi o pilar sobre o qual muitos de nós, moradores de Castanheira, nos apoiamos. Sem ele, o desenvolvimento da região teria sido bem mais lento,” comenta um dos pioneiros que viu o município nascer a partir de suas ações.
Hoje, ao olharmos para aquela foto de Elizeu, não estamos apenas lembrando de um homem que ajudou a abrir as primeiras estradas e a transportar madeiras e pioneiros. Estamos reverenciando um homem que, com seu trabalho árduo e visão de futuro, ajudou a moldar o município de Castanheira e deixou um legado que ainda reverbera no cotidiano de todos que ali vivem.
AMIN AJUL DE BARROS FILHO
Senhor Elizeu Rezzieri foi realmente "O CARA", porque trabalhou muito junto com uma equipe muito competente e, todos dedicando suas vidas nestes momentos fortes do desenvolvimento de Castanheira. Todos trabalharam muitoooooooo. PARABÉNS!