O jardim de Dona Angelite, no Bairro Santa Rita, é muito mais do que um espaço florido.
Em Castanheira, há um endereço que, para muitos, é sinônimo de beleza e encantamento: a casa de Dona Angelite Brandt, na Rua Marconílio Evangelista de Santana, antiga Mogno, no Bairro Santa Rita. O que torna o local ainda mais especial não é apenas a construção simples, mas o jardim que a cerca — um verdadeiro refúgio de cores e perfumes, onde cada flor é um pedaço da alma dessa mulher apaixonada pelas plantas.
Para quem chega, o que se vê não são apenas canteiros bem cuidados, mas um mosaico de vida e história, onde o amor pelas flores transcende a jardinagem e se mistura com as lembranças de uma trajetória familiar. A professora que, com admiração, comentou sobre o jardim de Dona Angelite, não hesitou em afirmar: "Para mim, é o mais belo". E, de fato, quem passa pela rua, mesmo que por um breve instante, é capaz de sentir a magia que se espalha pelos cantos floridos da residência.
Durante a viagem de Angelite para o Paraguai, fomos recebidos pela filha, Joceli Stoppel Brandt, funcionária da Saúde em Castanheira, que, com muito carinho, relembrou as raízes da família. "Nasci no Paraguai, mas minha história começa bem antes disso, com meus avós", contou Joceli, revelando a saga dos Stoppel. Os avós, imigrantes que passaram por diversas regiões do Brasil, fixaram-se em Castanheira há 25 anos, na esperança de ficar mais próximos de seus filhos, que já moravam em Juína.
Mas é o amor pelas flores que, mais do que qualquer palavra, resume a personalidade de Dona Angelite. E não é só ela quem se dedica ao cultivo desse jardim encantado. Joceli, com sua paixão silenciosa, caminha lado a lado com a mãe no cuidado diário do espaço, ajudando a plantar mudas e até mesmo a doar algumas delas para quem se encanta com a beleza do jardim. "Minha mãe é quem realmente cuida, ela planta as mudas e até doa para quem se interessa. Mas eu, claro, já fui contagiada", diz Joceli, com um sorriso no rosto, como se revelasse um segredo compartilhado entre elas e a natureza.
Entre as inúmeras espécies que ali florescem, algumas chamam mais a atenção. A rosa do deserto, com suas cores vibrantes e pétalas delicadas, parece ser a verdadeira estrela do jardim, mas não se pode deixar de notar as 11 ou 12 variedades de samambaias, os crotons de cores intensas, a primavera com sua explosão de flores, o "Comigo-Ninguém-Pode", sempre tão cheio de personalidade, e até os cactos e orquídeas, que desafiam o calor da região e florescem com resistência. A jibóia, com suas seis ou sete variedades, também é uma das plantas favoritas, crescendo com força e graça, como uma verdadeira metáfora da persistência da natureza.
"Recentemente, trouxe de Corriguacu 45 mudas de rosa do deserto", revela Joceli, com um brilho nos olhos ao falar das novas adições ao jardim. E, como se a magia das flores não fosse o suficiente, a história de como essas plantas chegaram ali é ainda mais fascinante. Muitas delas vieram de longe, como o Paraguai, Guaíra, no Paraná, e até mesmo da capital, Cuiabá. Cada muda traz consigo uma história, uma memória, uma viagem. Cada flor parece contar não só a história da família Brandt, mas também a história das terras que eles atravessaram para chegar até ali.
O jardim de Dona Angelite, portanto, é muito mais do que um espaço florido. Ele é um símbolo de resistência, de raízes profundas que se estendem não apenas pela terra, mas pela história de um povo que se espalhou por vários cantos do Brasil e do mundo. Cada flor que desabrocha naquele espaço é como uma pequena celebração da vida e do amor que, com cuidado e dedicação, floresce a cada novo dia.
E assim, entre cores e perfumes, o jardim de Dona Angelite Brandt segue encantando a todos que têm o privilégio de conhecer suas flores, que, mais do que adornos da natureza, são testemunhas de uma história que se perpetua na terra, nos corações e nas lembranças de quem as cultiva.