As marcas maiores foram deixadas na linha 01 e 3º Assentamento
Por uma coincidência histórica, dois dias separam o adeus a dois moradores pioneiros que residiram na Linha 2, em Castanheira. Nesta quarta-feira, familiares e amigos se despedem de Edinei Matias Soares, 47 anos, filho de Rondonópolis, que ainda pequeno, ao lado de oito irmãos, guiados pelo saudoso pai, Divino, chegou ao então distrito de Castanheira, em 1981.
Em grande parte da vida, foi um homem identificado com as lidas do campo, algo que aprendeu com o pai, que além da Linha 01 e do 3º Assentamento, no Vale do Seringal, desenvolveu o gosto pela terra trabalhando com café, na Fazenda de Agelin Ferro (em Juína) — atividade que gerou recursos para investir no próprio negócio, em Castanheira.
Embora homem de hábitos simples, Edinei, o “Nei” para alguns, não será esquecido facilmente. O sobrinho Luís Henrique explica a razão: “ele gostava de alegrar o ambiente, promovendo risos com suas histórias, mesmo que fosse uma mentirinha”. Entre os gostos, ficam as lembranças das pescarias e das noitadas de truco.
A mãe, Eunice Idalina Soares, dona Nenê, mesmo com a dor natural que o momento impõe, lembrará da animação do filho. A irmã Edna, a “Dina” para os mais próximos, servidora do Legislativo, reforça esse lado alegre, que fará falta. Era também alguém que despertava a atenção das crianças, que lamentam a partida do “Tio Dinei”, como era carinhosamente chamado.
Em momentos como este, ecoa a reflexão de Santo Agostinho: “A morte não é nada; eu somente passei para o outro lado do caminho.” Uma lembrança que conforta e aponta para a esperança em meio à dor.
Com complicações de saúde, Edinei viveu seus últimos momentos na UTI do Hospital São Lucas, em Juína, onde faleceu por volta das 17 horas desta terça-feira (05). As despedidas acontecem na Casa da Saudade, onde o pároco local, Jânio Procópio da Silva, em sua ministração, destacou a esperança da vida eterna como alento para este momento de dor. O sepultamento está previsto para as 14 horas.