Música e videoclipe é uma homenagem ao médico, poeta, músico e homem de muitos fazeres Dr. Paulo de Tarso.
Castanheira News lança nesta segunda-feira, dia 10, videoclipe em memória do médico, músico, poeta e amigo que também ajudou a construir uma história em Nova Canaã
Há amigos que passam pela nossa vida. E há aqueles que, mesmo depois de partir, continuam presentes nas histórias, nas músicas, nas fotografias e nas lembranças.
É com esse sentimento que o Castanheira News lança nesta segunda-feira, dia 10, uma canção acompanhada de videoclipe em homenagem póstuma a Paulo de Tarso, médico, poeta, compositor, músico e um daqueles homens difíceis de definir em poucas palavras.
Paulo era um “faz tudo” no melhor sentido da expressão. Médico, artesão, churrasqueiro, pizzaiolo, poeta, compositor, músico e presbítero da Igreja Presbiteriana do Brasil. Mas talvez sua maior característica tenha sido a capacidade de transformar cada ambiente por onde passava em oportunidade para fazer amigos, contar histórias e, naturalmente, puxar um violão.
Foi também um homem profundamente ligado à família. Era esposo da médica Dra. Tania Nassar Ribeiro e pai de Mirian, Paulinho e Valter. Sua mãe, Naida Stein, de tradicional família de Dourados, teve papel decisivo em sua formação, especialmente depois da perda precoce do pai, Germiniano, militar, morto em um acidente automobilístico entre Campo Grande e Dourados.
A ligação de Paulo com Castanheira, porém, tem uma história especial.
Ele foi um dos colaboradores dos primeiros tempos da Nova Canaã, hoje Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil — IPCB. Ajudou na construção do templo e doou os primeiros equipamentos de multimídia utilizados pela igreja, deixando uma contribuição que permanece registrada na memória daqueles que viveram aquele período.
Paulo chegou a visitar Castanheira e, em uma dessas ocasiões, proporcionou uma apresentação musical para um grupo de amigos no Estádio Municipal. Ao lado dele estava o filho Paulinho, que herdou de maneira muito forte o lado artístico do pai e se tornou presença conhecida em diferentes espaços culturais de Campo Grande.
Naquela noite, a música veio acompanhada de uma tradição bem mato-grossense: os amigos que receberam Paulo prepararam, com uma equipe da igreja, um arroz carreteiro para os presentes.
Era muito a cara de Paulo: música, amizade, comida e conversa.
Sua ligação com esta região também vinha de antes. Nos primeiros seis meses de casado, Paulo residiu em Juína. E a presença da família no noroeste de Mato Grosso remonta ainda ao seu pai, Germiniano, militar que integrou uma equipe que atuou nos primórdios da região durante o processo de construção da AR-1, rodovia que abriu caminhos para o noroeste mato-grossense.
Mas Paulo tinha raízes que se espalhavam por diferentes lugares.
A história construída entre Dourados, Bandeirantes e Campo Grande encontrou na música uma forma de expressão que ultrapassou fronteiras. É autor de canções conhecidas regionalmente, como “Ciúme Bobo”, “Orgulho Sul-Mato-Grossense” e “Roda de Tereré”, esta última associada a reportagens sobre o tradicional costume pantaneiro e responsável por inspirar bailes temáticos em diferentes lugares.
O chamamé era uma paixão especial. Paulo frequentava festivais e encontros dedicados ao gênero, inclusive em Rio Brilhante e Corrientes, na Argentina. Entre seus amigos estavam nomes importantes da música regional, como Almir Sater, Renato Teixeira, Tostão e Guarani, Gelson, do grupo Tradição, Marlon Maciel e integrantes do Grupo Zíngaro.
Mas, para quem conviveu com ele, talvez a maior lembrança não esteja nos palcos.
Está numa roda de amigos.
Num violão.
Numa conversa.
Num prato de comida preparado para receber alguém.
Numa história contada com entusiasmo.
Ou numa música surgindo quase sem que ninguém percebesse.
É justamente essa ideia que conduz a canção “Lembrando um amigo”, criada agora como tributo.
A letra começa com uma cena simples e profundamente humana: “Hoje numa roda de tereré / Alguém citou um Ciúme Bobo / Lembrei-me então de um chamamé.”
Uma música puxa outra. Um título desperta uma história. E, por trás da canção, aparece o homem.
A letra também resume sua trajetória ao dizer:
“Médico de mãos habilidosas / Firmes, ligeiras na viola e violão / Tinha sempre uma boa prosa / E ao cantar era só paixão.”
Talvez não seja possível dizer mais com menos palavras.
Paulo era médico de mãos habilidosas. Mas as mesmas mãos também seguravam o violão. Faziam artesanato. Preparavam churrasco. Criavam sabores. Ajudavam pessoas. E, quando necessário, serviam.
No dia 2 de janeiro de 2021, enquanto atuava na linha de frente da Covid-19 em Campo Grande, Paulo contraiu o vírus e morreu.
Partiu cedo demais.
Deixou Tania, Mirian, Paulinho e Valter. Deixou a mãe, Naida, e uma família espalhada por diferentes lugares. Deixou amigos. Deixou histórias. Deixou uma obra musical.
E deixou, sobretudo, saudade.
Cinco anos depois de sua partida, a música parece continuar cumprindo o papel que sempre cumpriu em sua vida: reunir pessoas e manter vivas as lembranças.
“Paulo de Tarso, quantas lembranças / Seu nome hoje entre nós invoca / Onde houver sempre boa festança / A sua música nos move e toca.”
É por isso que este não é apenas um lançamento musical.
É um reencontro.
Um reencontro com um amigo.
Um reencontro com suas músicas.
Um reencontro com suas histórias.
Um reencontro com a memória de um homem que viveu muitas vidas dentro de uma só.
Tributo a Paulo de Tarso.
Porque algumas pessoas deixam saudade.
E outras deixam também uma canção para que a saudade tenha onde morar.