Homem simples mas que ajudou a construir a história do município
A sucessão das gerações é inevitável. E, com ela, vão ficando pelo caminho aqueles que ajudaram a escrever, com as próprias mãos, as primeiras páginas da história de um lugar. Castanheira sepulta neste domingo um desses homens.
Deve ser sepultado no final da tarde deste domingo, no Cemitério Bom Jesus, em Castanheira, o senhor Oziel dos Santos Duarte, de 74 anos, falecido na noite deste sábado, por volta das 21h30, em sua residência.
Baiano de Olho D’Água do Cruzeiro, Oziel chegou a Mato Grosso inicialmente para a região de Farinópolis, próxima a Araputanga, uma das referências de chegada de muitas famílias que, posteriormente, ouviriam falar das oportunidades que surgiam no noroeste mato-grossense, com os projetos de colonização em andamento.
Ele já havia visitado a região de Castanheira. Viu, conheceu e gostou. Em 1986, decidiu voltar. Foi aqui que construiu sua história, casou-se com Maria Cícera Duarte, funcionária da área da educação, e formou sua família, tendo dois filhos: Adriele, funcionária da Escola Maria Quitéria, e Alan Vinicius, estudante da mesma instituição.
A vida de Oziel foi marcada pela simplicidade e pelo trabalho. Era um dos homens das muitas lidas do campo, daqueles que faziam um pouco de tudo: derrubadas, serviços braçais, trabalho na roça e, especialmente, o feitio de cercas. Segundo a esposa, era um verdadeiro “faz tudo” quando o assunto era esse tipo de trabalho.
Sua trajetória se confunde, assim, com a de tantos homens e mulheres que chegaram quando Castanheira ainda dava seus primeiros passos e encontraram na força dos próprios braços o caminho para construir a vida.
Nos últimos 11 anos, Oziel conviveu com algumas comorbidades. Com a saúde fragilizada, sua vida passou a ser mais recolhida, entre a casa e as lidas que ainda conseguia realizar no campo.
Neste domingo, justamente no Dia dos Pais, seu filho Alan encontra dificuldade para resumir em palavras aquilo que fica da convivência com o pai. Quando perguntado sobre o sentimento que permanece, responde apenas: “Saudade!”
Talvez seja mesmo essa a palavra que melhor traduza a despedida de um homem simples.
Porque algumas vidas não precisam de grandes feitos registrados em livros para terem importância. Há homens cuja história está nas cercas que levantaram, nas roças que cultivaram, no trabalho que fizeram e na família que deixaram.
Oziel Duarte parte deixando para Castanheira a memória silenciosa de uma geração que ajudou a transformar mata em caminho, trabalho em sustento e um lugar de oportunidades em lar.
E, quando a terra receber seu corpo no Bom Jesus, neste final de tarde, ficará entre os seus uma lembrança que o tempo não sepulta: a de um homem simples, trabalhador e, sobretudo, pai.