Em Castanheira, foram mais de 40 anos de vivência no lugar onde seu coração pulsava com mais força: as lidas da terra
As páginas da história voltam a se movimentar em Castanheira com o falecimento, na Linha 01, zona rural, de um dos moradores da primeira década do município. Nelson Rodrigues, o Nelsinho para alguns, capixaba de Colatina, oriundo de uma família de 12 irmãos, três dos quais, naquele tempo de inícios, decidiram ouvir as boas novas da colonização do noroeste de Mato Grosso, impulsionada pelo avanço da rodovia AR-1 na direção de Aripuanã.
Em Castanheira, foram mais de 40 anos de vivência no lugar onde seu coração pulsava com mais força: as lidas da terra. Ali, entre o gado e o plantio de diversas culturas, construiu sua história. E foi colhendo um dos frutos que plantou, no Sitio Castanheira, que partiu neste domingo, dia 03 — como quem encerra o ciclo da semeadura com a serenidade de quem cumpriu seu tempo.
No entorno dessas práticas, que moldaram suas rotinas ao longo dos anos, havia espaço para os pequenos grandes gestos da vida: andar a cavalo, pescar, jogar futebol quando o corpo permitia e torcer, com fidelidade, pelo Vasco da Gama, seu time do coração.
Mas era no seio da família que suas emoções floresciam com mais intensidade. Os netos Erinelson, Franciele e Kauane, falando também por outros sete, o reverenciam como alguém de cuidado manso e presença afetuosa. Amava profundamente os 10 netos e os 5 bisnetos, encontrando neles — assim como nos cinco filhos — a força para atravessar a saudade deixada por sua eterna esposa, Lenilda, falecida há quase quatro anos. Como escreveu Cora Coralina, “a saudade é o reviver do que não pôde morrer” — e é nesse reviver que sua memória permanece viva.
Na Linha 01, na Comunidade São José, onde foi um dos pioneiros, segundo Amilton Santana, fica agora o silêncio de uma ausência que, paradoxalmente, fala alto: de trabalho, dedicação, amor à família e amizade sincera. A filha Celma e o irmão Wanderley, o Wando, expressam o peso dessa partida, mas também reconhecem, com gratidão, a beleza da história que ele construiu — uma referência firme em tempos tão confusos.
Seu sepultamento ocorre às 16 horas, no Cemitério Bom Jesus, com despedidas desde ontem na Casa da Saudade.