O levantamento revelou um cenário preocupante: grande parte delas apresenta algum nível de degradação causado pelo uso inadequado do solo e pela ausência de proteção ambiental adequada.
O município de Castanheira acaba de alcançar um marco histórico na área ambiental com a conclusão da primeira etapa do Projeto RENAS-7 – Revitalização da Bacia do Rio 7 de Setembro. Mais do que um levantamento técnico, o trabalho representa o início de um processo concreto de reconstrução ambiental de uma das mais importantes bacias hidrográficas da região.
Coordenado por uma ampla articulação entre o Instituto Ambiental Rio Perdido (IARP), o IFMT Campus Juína, a Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente (SAMA), a Prefeitura de Castanheira e o Ministério Público do Estado de Mato Grosso, o projeto reuniu ciência, ação prática e mobilização social em uma iniciativa inédita para o município.
Ao longo da primeira etapa, equipes técnicas percorreram áreas urbanas e rurais em um extenso trabalho de campo que resultou no mapeamento e diagnóstico de 422 nascentes. O levantamento revelou um cenário preocupante: grande parte delas apresenta algum nível de degradação causado pelo uso inadequado do solo e pela ausência de proteção ambiental adequada.
Mas o RENAS-7 não ficou apenas na identificação dos problemas. Em diversas áreas já foram executadas ações concretas de recuperação, incluindo limpeza de nascentes, retirada de resíduos, recomposição da vegetação nativa, controle de espécies invasoras e implantação de sistemas de proteção hídrica. Em alguns pontos críticos, o fluxo natural da água foi restabelecido, permitindo a retomada dos processos naturais de regeneração.
As ações de engenharia de conservação também ganharam destaque. A implantação de barraginhas e outras estruturas de infiltração demonstrou resultados importantes na redução do escoamento superficial e no aumento da recarga hídrica da bacia, mostrando que soluções técnicas bem aplicadas podem gerar impactos positivos em curto prazo.
Outro diferencial do projeto foi o investimento em educação ambiental e participação comunitária. Produtores rurais, estudantes e moradores passaram a integrar mais diretamente o debate sobre a preservação das águas, fortalecendo a consciência coletiva sobre a importância das nascentes para o futuro da cidade.