Ao recuperar nomes, datas, lugares e imagens, publicação de outubro de 2021 da Revista Innovare News oferece uma contribuição à memória de Castanheira.
A história de Castanheira também foi escrita por homens e mulheres que trouxeram na bagagem suas convicções religiosas e o desejo de preservar a fé em uma nova terra. Desde os primeiros anos de ocupação, católicos, adventistas, presbiterianos e batistas foram construindo espaços de culto, formando comunidades e contribuindo para a identidade social e espiritual do município.
As páginas 28 e 29 da edição especial da revista Innovare News, publicada em outubro de 2021, sob o título Castanheira: Fragmentos de uma História, resgatam momentos importantes dessa trajetória. O registro destaca a presença majoritária dos católicos nos primeiros tempos, a organização da Paróquia Santo Antônio, a chegada do adventismo e a atuação das famílias que ajudaram a consolidar outras expressões cristãs no município.
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Quando as famílias começaram a se estabelecer na região que daria origem a Castanheira, não trouxeram apenas seus pertences, ferramentas e sonhos de prosperidade. Trouxeram também suas crenças, tradições e formas de expressar a fé. Assim, enquanto a comunidade crescia, diferentes grupos religiosos procuravam manter suas práticas e criar espaços de convivência e devoção.
Segundo o levantamento publicado pela Innovare News, uma pesquisa sobre a religiosidade dos moradores, realizada no início da década de 1980 e tendo como referência o povoado de Novo Horizonte, apontava a predominância católica. Entre as famílias entrevistadas, havia apenas uma família adventista, formada por Carlos dos Santos, já falecido, e Rosa Elisia Martendal dos Santos.
O registro também ressalta que, embora as instituições religiosas ainda estivessem em processo de organização, os moradores já procuravam se reunir para cultivar suas tradições. Era um movimento que acompanhava a própria formação do município: a fé se manifestava nas reuniões, nas celebrações e na disposição de famílias que ajudavam a manter viva a vida religiosa.
Catolicismo: a organização da Paróquia Santo Antônio
Embora o padre Duilio Josefino já realizasse trabalho pastoral antes da organização administrativa do município, a criação oficial da Paróquia Santo Antônio ocorreu em 1988, por decreto de Dom Antônio Passamai, então bispo da Diocese de Ji-Paraná, em Rondônia, à qual as comunidades da região estavam subordinadas.
A nova paróquia passou a abranger todo o território de Castanheira, emancipando-se da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, de Juína. A coordenação pastoral foi entregue aos Frades Capuchinhos da Paróquia de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, que designaram Frei Padre Sérgio Sartori como primeiro pároco. Sua instalação ocorreu em 24 de janeiro.
Naquele período, conforme a publicação, já existiam 30 comunidades católicas organizadas. A mais próxima ficava a cinco quilômetros da sede, enquanto a mais distante estava a 60 quilômetros do núcleo urbano recém-criado. Os números dão uma dimensão do esforço necessário para atender famílias espalhadas por uma extensa área rural, em um tempo de estradas difíceis e grandes distâncias.
As fotografias reunidas pela revista ajudam a compreender esse cenário. Uma delas registra moradores de uma das comunidades católicas existentes antes da criação da paróquia, testemunhando a participação dos fiéis e a importância das pequenas comunidades na sustentação da vida religiosa.
Nos anos seguintes, o catolicismo experimentou intensa movimentação, com celebrações, atividades pastorais, assembleias paroquiais e crescente participação de leigos, que assumiram responsabilidades na vida da Igreja.
Adventismo: famílias que abriram caminho
A presença adventista também antecedeu sua organização oficial em Castanheira. De acordo com o relato histórico, em 1986 chegaram ao município Francisco Vicente Filho e sua família, vindos de Iguape, no litoral paulista, com o propósito de implantar a obra adventista no então distrito.
Naquele momento, outras famílias já estavam estabelecidas na região: Westphal e Bergamasso, uma na sede e outra na Linha 02, além da família de Carlos e Elisia, no Novo Horizonte. A chegada de novos moradores e a articulação dessas famílias contribuíram para a implantação e o desenvolvimento da comunidade adventista.
A construção do primeiro templo ocorreu na Rua Vanderlei Vicente, em uma área que viria a integrar o futuro Bairro Noga. Segundo Francisco Vicente Neto, o local era visto, naquele tempo, como uma região que poderia se tornar o centro da cidade.
Posteriormente, uma referência definitiva para a comunidade adventista foi estabelecida no Bairro Santa Rita. A proposta inicial também contemplava a construção de uma escola, iniciativa coerente com a tradição educacional adventista e com sua atenção à música e à área da saúde.
Uma das fotografias publicadas na revista registra adventistas reunidos durante o lançamento da obra do templo no Bairro Santa Rita. Mais do que uma imagem de construção, a cena representa o envolvimento de famílias que contribuíram para estabelecer uma presença religiosa duradoura no município.
Presbiterianos e batistas: a contribuição das famílias
A segunda metade da década de 1980 foi marcada não apenas pela organização da Paróquia Santo Antônio e pelo avanço da obra adventista, mas também pelo fortalecimento de outros grupos cristãos.
Entre os presbiterianos, a publicação recorda inicialmente as famílias de Arrival Gonçalves Rios, Jaira da Silva Ferreira e Jabim Miranda Rios. Posteriormente, são mencionados Dilson Brasileiro Rios, Alcebiades Neto Figueiredo Rios, Alécio Gonçalves Rios, Dário Brasileiro e Erotilde Nunes Rios.
No grupo batista, aparecem José Francisco e família, Cérsio Santana e família, José Ângelo, conhecido como Noga, e família, além de Florisvaldo e família.
Esses registros evidenciam um aspecto importante da história religiosa local: a organização das igrejas não ocorreu de maneira isolada, mas acompanhou a chegada e a fixação de famílias que desejavam preservar suas convicções e transmiti-las às novas gerações.
Com o passar do tempo, novos moradores, tanto batistas quanto presbiterianos, chegaram a Castanheira, e cada grupo seguiu seu próprio caminho de organização e crescimento. A revista registra ainda uma curiosidade: o nome Matusalém aparece associado aos dois grupos.
Uma história de fé, famílias e pertencimento
O resgate apresentado pela Innovare News mostra que a história religiosa de Castanheira não se resume à construção de templos ou à criação formal de instituições. Ela também é feita de deslocamentos, encontros, reuniões em pequenas comunidades e do empenho de famílias que procuraram manter suas tradições em uma terra que começava a se desenvolver.
Católicos, adventistas, presbiterianos e batistas, cada qual com sua trajetória e identidade, participaram desse processo. Suas histórias ajudam a compreender como diferentes expressões cristãs encontraram espaço no município e contribuíram para a formação de comunidades que atravessaram gerações.
Ao recuperar nomes, datas, lugares e imagens, a publicação de outubro de 2021 oferece uma contribuição à memória de Castanheira. É um convite para que as novas gerações conheçam não apenas como a cidade cresceu, mas também como a fé esteve presente na caminhada de muitos de seus primeiros moradores.