Euzi Fernandes de Oliveira deixa um legado de serviço e amor que dificilmente se apagará.
“Era uma vez uma mulher que gostava de servir.” A frase, que remete aos contos eternizados pela literatura, encontra em Euzi Fernandes de Oliveira, a querida Tia Ziza, uma história real de fé, alegria e dedicação ao próximo. Aos 73 anos, ela faleceu nesta quinta-feira, 22, em Castanheira, onde estava de passagem para rever as filhas Cida e Neuza, deixando familiares e amigos com a lembrança de uma mulher que, por onde passou, procurou fazer a diferença na vida das pessoas.
Mineira de Vila Calixto, Tia Ziza viveu 12 anos em Castanheira antes de se mudar, em 1993, com o esposo, Adilio Bezerra de Oliveira, para Alto Paraíso, em Rondônia. Foram 57 anos de união, seis filhos, 17 netos e 13 bisnetos.
Sua fé cristã, o bom humor e a disposição para servir marcaram sua trajetória. Ao resumir a importância da companheira, Adilio declarou: “Ela foi o maior presente de Deus que pude ter”.
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Há histórias que começam com um “era uma vez” e permanecem vivas muito depois de seu último capítulo. A de Tia Ziza é uma delas. A referência a Charles Perrault (1628–1703), escritor francês que ajudou a eternizar contos como Cinderela e A Bela Adormecida, ganha aqui um significado especial: algumas histórias não precisam de personagens imaginários para emocionar.
Depois de deixar Castanheira, Tia Ziza e Adilio continuaram ligados à vida rural, na linha C-100, Travessão B-20, em Alto Paraíso, como já faziam na região da Vale Ouro. Mudaram os cenários, mas permaneceram os valores que davam sentido à caminhada: o trabalho, a família, a fé e o cuidado com as pessoas.
Em tratamento de saúde, ela retornou à cidade para rever as filhas, mas faleceu na madrugada desta quinta-feira. Nas horas difíceis, costumava dizer: “Maria, passa na frente”, expressão que revelava sua confiança na intercessão e no amparo divino.
A passagem bíblica que exorta o "servir uns aos outros pelo amor" (Gálatas 5.13), parece sintetizar uma das marcas de sua vida: a disposição de transformar a fé em gestos concretos de cuidado, especialmente nas atividades da igreja, onde encontrava espaço para servir ao próximo.
Na Casa da Saudade, onde acontecem as despedidas, as lembranças ajudam a compor o retrato de uma mulher querida. “Levava luz por onde passava” e “era alegria o tempo todo” são algumas das expressões compartilhadas por Neguinha, Fagner, Aline Carol, Roberto e outros familiares.
Eles destacam que o bom humor da esposa, mãe, avó, bisavó e amiga de muitos permanecia mesmo nos momentos delicados. Durante uma internação em Tangará, diante da preocupação de pessoas próximas, Tia Ziza reagiu com sua espontaneidade habitual: “Achavam que eu iria morrer; perderam a viagem”. A frase, recebida entre risos, revela a maneira descontraída com que procurava enfrentar as dificuldades.
Tia Ziza gostava dos sabores da cozinha mineira, especialmente dos produtos de milho, do frango caipira e da polenta. Cuidava das plantas, mantinha sua horta em dia e apreciava a companhia dos animais. Mas era no convívio com as pessoas e nas atividades da igreja que encontrava algumas de suas maiores alegrias.
Em O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Exupéry deixou uma reflexão que atravessou gerações: “O essencial é invisível aos olhos.” A frase ajuda a compreender o que permanece quando alguém parte: o amor compartilhado, os gestos de bondade e as marcas deixadas na vida de quem caminhou conosco.
É essa herança que Tia Ziza deixa à família, aos amigos e a todos os que tiveram o privilégio de conhecê-la. Sua história prossegue nos filhos, netos e bisnetos, nas amizades cultivadas e nas lembranças que o tempo não consegue apagar. Porque algumas vidas, mesmo quando se despedem, continuam a nos contar histórias.
O sepultamento está previsto para após as 19 horas, no Cemitério Bom Jesus, em Castanheira.