Celebração de 33 anos de presença em Juína, reaviva memórias.
Há instituições que nascem como números. Outras nascem como sementes. A Sicredi Univales pertence à segunda história — aquela que brota do chão, das mãos calejadas, da coragem de começar quando quase ninguém acredita.
Na celebração dos 33 anos da cooperativa em Juína, o presidente Juarez Cividini puxou pela memória como quem revisita a própria lavoura. Agradeceu, um a um, os 33 cidadãos que plantaram a primeira ideia e hoje veem a colheita chegar a 150 mil associados — “150 mil donos”, como faz questão de dizer. Em tom sereno, confessou nunca ter imaginado permanecer tanto tempo à frente da instituição e repetiu a frase que oferece aos novos colaboradores como quem conta um pedaço da própria alma: foi “tirado do cabo da enxada” para presidir a cooperativa.
Antes da gestão, havia o campo. Café, milho, arroz. Vida simples de colono e aprendizado de quem entende que crescer exige paciência. Mesmo com formação, assumiu sem se sentir pronto. “Vou te colocar neste lugar aí; você procura fazer a coisa correta”, lembra ele, como se tivesse ouvido um chamado silencioso. E seguiu.
Mas raízes não se firmam sozinhas. Juarez fez questão de lembrar que a história foi escrita a muitas mãos e que a razão de existir da cooperativa está nos associados — “são eles que pagam nosso salário, que geram empregos”. O cooperativismo, para ele, é mais que finanças: é pertencimento.
Entre os pioneiros, João Guterres reviveu o tempo em que tudo era apenas chão e dúvida. Quando ouviu a proposta de criar uma instituição financeira, reagiu com estranheza: “o que é isto?”. Mesmo assim, reuniu pessoas, enfrentou descrédito e ajudou a erguer quase todas as unidades da cooperativa. Foram 28 dos 33 anos dedicados à construção de um projeto que cresceu junto com a região.
"Hoje, ao ver a agricultura florescer e a pecuária consolidada, o sentimento é de quem olha para trás e reconhece o valor da travessia. Porque todo grande caminho começa pequeno. E toda cooperativa sólida carrega, nas raízes, a coragem dos que ousaram plantar o primeiro sonho, concluiu.