Pioneiro, deixa uma bela história e uma memória que continuará viva entre aqueles que tiveram o privilégio de chamá-lo de pai, avô, amigo, vizinho ou companheiro de caminhada.
— Pai, como o senhor está?
— Estou sentado, filho!
Essa resposta, aparentemente simples e dada em tom de brincadeira, a uma abordagem do cotidiano, guarda uma daquelas histórias que permanecem na memória porque carregam a simplicidade e o bom humor de quem as viveu. Foi assim que Claudir Boiani, o Bia, residente em Lucas do Rio Verde, lembra nesta sexta-feira, 2, uma das muitas situações engraçadas vivenciadas ao lado do pai, Carlos Boiani, o Carlinhos Borracheiro.
Esse tipo de diálogo, próprio de seu jeito divertido de ser, já não pode mais se repetir. Depois de algum tempo sofrendo limitações, Carlos perdeu a luta contra o câncer, encerrando uma trajetória marcada pelo trabalho, pela amizade e pela honestidade.
Na Casa da Saudade, onde as despedidas acontecem até as 17 horas, quando será realizado o sepultamento no Cemitério Bom Jesus, as lembranças se multiplicam. Elas atravessam o tempo, desde os dias de infância em Toldo Velho, Santa Catarina, até a chegada a Castanheira, no início da década de 1980, acompanhando Seo Elizeu e integrando a equipe de seu empreendimento.
Pioneiro dos primeiros tempos do município, Carlinhos deixou uma imagem que aparece repetida nas diferentes manifestações. Zilda Stantherlin, ex-prefeita de Castanheira e uma das pessoas que conviveram com ele, resume: “Era referência de um homem trabalhador, amigo e honesto”.
Todos referenciam a importância de Marina Teófilo na vida de Carlinhos. Companheira das últimas décadas, esteve sempre ao seu lado, especialmente diante das limitações impostas pela enfermidade que o acompanhou nos últimos anos. Emocionada, Marina fala sobre os 26 anos de convivência e traduz a relação em poucas palavras: “Sempre estávamos juntos!”.
Entre os familiares, as lembranças chegam acompanhadas de emoção. Roseli, sobrinha, recorda o prazer da convivência: “Era prazeroso estar com ele, sendo uma pessoa muito querida”. Claudete, filha que reside em Cuiabá, guarda muitas recordações. Entre elas, a última comemoração de aniversário que puderam viver juntos na capital, quando, mesmo diante dos limites de saúde, não faltaram carinho, família e aquela característica que talvez melhor traduzisse Carlos: o sorriso.
As referências positivas, porém, ultrapassam os limites da família. O pastor Edson Marcos, vizinho e amigo há mais de 26 anos, conviveu com Carlos desde os tempos da Rezzieri, quando também mantinham uma relação de trabalho — um como borracheiro, outro prestando serviços com dois caminhões. "Perco o cuidador de minha casa, quando viajava", salienta. José Ferreira também recorda a convivência dos tempos da Madeireira que ajudou a impulsionar os primeiros anos de Castanheira. “Também fomos vizinhos e parceiros de trabalho, era muito gente boa”, lembra.
Se o trabalho foi um dos grandes legados deixados por Carlos, ele também sabia encontrar alegria nas coisas simples. Foi borracheiro até a aposentadoria, passando pela Rezzieri e posteriormente pela garagem da Prefeitura. Mas, fora do ambiente de trabalho, gostava de acompanhar as partidas de futebol, nos tempos em que o campo ficava nos limites do Noga, jogar truco e reunir a família mais próxima aos domingos em torno da mesa. Pequenas coisas que, com o passar dos anos, geram grandes lembranças.
Entre tantas manifestações de carinho, talvez uma das mais significativas esteja na lembrança de Claudir, que viveu por 20 anos em Castanheira e também trabalhou com o pai na Rezzieri. Carlos o ensinava, sobretudo, pelo exemplo e pelas palavras diretas: “Sempre me exortou a trabalhar e ser honesto”. Do trabalho, costumava dizer que “não mata ninguém”. E, sobre a honestidade, ensinava com uma expressão que Claudir jamais esqueceu: “Nunca pegue uma agulha de alguém!”.
É um ensinamento simples, mas profundo. Numa época em que tantas coisas parecem perder valor, a vida de Carlos Boiani deixa justamente o testemunho de que trabalho, honestidade, amizade, família e simplicidade continuam sendo patrimônios que não envelhecem.
Por isso, ao registrar a despedida de mais um pioneiro, o Castanheira News lembra a sabedoria das Escrituras: “A memória do justo é abençoada” (Provérbios 10.7). Carlos, ou simplesmente Carlinhos Borracheiro, deixa a esposa, três filhos, oito netos e onze bisnetos — e, para além deles, deixa também uma história construída com as próprias mãos e uma memória que continuará viva entre aqueles que tiveram o privilégio de chamá-lo de pai, avô, amigo, vizinho ou companheiro de caminhada.
Leislaine Boiani
Meu vô meu exemplo na vida homem trabalhador honesto que fazia de tudo por quem amava , sou grata por cada ensinamento , por cada conselho ,queria muito te dar um abraço queria tanto vc aqui comigo , ainda não acredito que o senhor partiu, seus bisnetos irão conhecer sua história e o homem de valor que o senhor era , te amarei eternamente meu velhinho teimoso 💙 muito obrigada por tudo prometo sempre honrar meu Sobrenome Boiani , obrigada por deixar esse seu legado de muito amor . Te amo vô Carlinhos 💖
Rozimar da Silva Rodrigues
Muito triste 😔 ninguém tá preparado perder um ente querido dói muito perder alguém que a gente ama 🖤🖤🖤😭😭😭😭 deixo aqui meus sentimentos a todos os familiares e amigos
JAKELINE BOIANI
🕊️🤍 Carlos Boiani, meu eterno Carlinhos Borracheiro. Meu vô, meu herói, meu pai de coração.
Hoje me despeço de uma das pessoas mais importantes da minha vida. E, sinceramente, não sei como aceitar que você não está mais aqui. Uma parte da minha história se vai com você, vô, mas tudo o que me ensinou permanecerá para sempre em mim.
Você foi pai e mãe, foi alicerce, foi proteção e foi amor. Foi o homem que lutou pela minha vida, que cuidou de mim e que me ensinou os valores que carrego até hoje: honestidade, trabalho, caráter e a importância de ser verdadeiro, mesmo que isso desagrade algumas pessoas.
Para muitos, você era um homem de personalidade forte, durão, mas comigo sempre foi diferente. Comigo, você era carinho, cuidado e proteção. Lembro de você cuidando dos meus machucados, me ajudando nas tarefas, me ensinando a fazer as coisas e, todas as noites, indo até minha cama me cobrir porque sabia que eu sentia frio. Quando eu tinha medo ou ansiedade, você dormia comigo e dizia que iria me proteger. E eu acreditava, porque, enquanto você estivesse por perto, eu me sentia segura.
Nunca vou esquecer quando dizia à minha mãe: "Não briga com a menina, deixa ela!". Você sempre foi meu protetor, meu porto seguro e aquele que, mesmo com seu jeito durão, tinha um carinho imenso por mim.
Guardo com tanto amor as lembranças mais simples: você chegando com seu saco de peixes e dizendo: "Eu pesquei, agora você limpa pra gente comer". Sua horta, os legumes e as verduras fresquinhas, os doces caseiros que fazíamos no quintal, o fogo que você acendia e todas aquelas pequenas coisas que hoje se tornaram gigantes dentro do meu coração.
Você me ensinou a amar os animais, principalmente os cachorros, a valorizar o trabalho e a respeitar nossas raízes. Contava-me histórias do meu bisavô Avelino, da minha bisavó Carmelita e fez questão de me levar para conhecê-la. Você não me deixou apenas lembranças, mas uma história, uma identidade e um legado familiar que quero transmitir às minhas filhas.
Você foi tudo para minha mãe e, quando eu cheguei, também foi tudo para mim. E, mesmo depois de adulta, continuava sendo aquela menina que encontrava em você proteção e carinho. Uma das últimas coisas que me disse foi que minha filha Anastácia era igual à sua mãe. Eu gostaria tanto que você tivesse tido mais tempo ao nosso lado, para acompanhar o crescimento dela e viver tantas outras lembranças conosco.
Também sentirei saudades do Carlinhos Borracheiro, sempre trabalhando, com seu jeito autêntico, suas conversas e suas discussões engraçadas com o velho Elizeu, seu amigo de Santa Catarina, e com seus filhos. Você tinha seu jeito único de viver, de falar e de demonstrar amor. E é justamente esse jeito tão seu que fará tanta falta.
Vô, eu queria tanto ter mais tempo com você. Mais uma conversa, mais um abraço, mais uma visita, mais uma daquelas noites em que você vinha me cobrir. Nunca imaginei que sentiria tanta falta de coisas que pareciam tão simples e que hoje eu daria tudo para viver novamente.
Você lutou pela minha vida e me ensinou a viver. Agora, cabe a mim honrar tudo o que você construiu, preservar nossa história e transmitir às minhas filhas os valores que você me ensinou.
Não sei como será daqui para frente sem sua presença, mas sei que você continuará vivendo em mim, nas minhas atitudes, nos meus ensinamentos, nas histórias que contarei e no amor que deixarei para as próximas gerações.
Hoje, meu coração está de luto, e nenhuma palavra é capaz de traduzir a dor de perder alguém que foi tão essencial na minha vida. Queria poder voltar no tempo, nem que fosse por alguns minutos, só para te abraçar mais uma vez e dizer o quanto eu te amo.
Obrigada por ter sido meu avô, meu pai de coração, meu protetor e meu maior exemplo de amor e simplicidade. Obrigada por ter cuidado de mim e da minha mãe, por ter lutado por nós e por ter me dado uma infância em que nunca me faltou o seu carinho.
Você foi meu herói, vô. E, por mais que a vida tenha nos separado, nada poderá apagar tudo o que vivemos.
Espero que, onde estiver, você encontre a paz e o descanso que merece. E que, de alguma forma, saiba que sua menina sempre terá orgulho de ser sua neta.
Descanse em paz, meu velho, meu Carlinhos Borracheiro. Você deixou saudade, amor e um legado que o tempo jamais será capaz de apagar.
Eu te amo para além desta vida. Até um dia, meu vô. 🕊️🤍
Com amor eterno, da sua menina,
Jakeline Boiani. ❤️
Thayza
Meus sentimentos a todos os familiares
JAKELINE BOIANI
Meu avô era e foi o melhor homem que já conheci, foi meu avô, meu pai e tudo.