Seu nome insere-se entre os pioneiros que ajudaram a escrever a história de Castanheira.
Mais um pioneiro de Castanheira fecha seu ciclo de vida e passa a integrar, definitivamente, a história do município. Rivadal Castilhos Pimentel, que chegou à região em 1981, quando Castanheira ainda era um pequeno vilarejo com poucas casas, faleceu nesta segunda-feira (28), aos 64 anos, no Hospital São Lucas, em Juína, onde estava internado e enfrentava algumas comorbidades.
Irmão gêmeo de Lourival Pimentel, o conhecido Lorão, Rivadal completaria 65 anos no próximo dia 6 de novembro. Sua trajetória ficou especialmente ligada ao Vale do Seringal, onde foi um dos primeiros ocupantes e proprietário do Sítio São Roque, no I Assentamento, nas proximidades da Comunidade São Jorge. Ali, encontrava satisfação nas atividades que mais apreciava: lidar com cavalos e gado.
“Era um típico homem do campo”, recorda Lorão. O curral da propriedade, logo na chegada do assentamento, tornou-se referência para amigos que precisavam abrigar animais envolvidos em negociações. Mas a participação de Rivadal na comunidade foi além da vida rural. Segundo familiares, esteve envolvido em lutas sociais e também participou de movimentos relacionados à ocupação de áreas urbanas por famílias de baixa renda.
A vida, porém, lhe impôs limitações. Um acidente sofrido no passado deixou sequelas físicas, mas não o impediu de continuar enfrentando os desafios cotidianos. Dirigir, trabalhar e até participar de partidas de futebol faziam parte de uma rotina na qual Rivadal procurava não se render às dificuldades. “Deixa saudade”, resume Lorão, ao falar do irmão com quem compartilhou a infância, a mudança de Capanema, Paraná, para Mato Grosso e décadas de uma história construída lado a lado.
Integrante de uma família originária de Ricardo Castilho Pimentel e Elidia Mart Pimentel, Rivadal deixa entre os irmãos - foram seis - Senildo, conhecido pelo transporte de pacientes, e Dona Elci do Pão, residente em Campo Grande (MS). Deixa também os filhos Ronaldo e Rodrigo, cinco netos e uma bisneta.
Sua chegada a Castanheira aconteceu sete anos antes da emancipação política do município. Naquele 1981, o lugar ainda contava aproximadamente 26 casas, e a atual Avenida 04 de Julho tinha um traçado que se estendia das imediações onde hoje está o Sicredi até a Avenida Mato Grosso. Era uma Castanheira que começava a nascer — e Rivadal estava entre aqueles que ajudaram a construir seus primeiros capítulos.
Há uma frase atribuída ao escritor francês Anatole France que diz: “A vida é curta, mas a memória é longa.” Para os pioneiros, talvez ela ganhe um significado ainda maior. Rivadal parte justamente quando a cidade que ajudou a construir continua crescendo. E, nesta terça-feira, 29, quando o cortejo passar por ruas que um dia ainda eram apenas caminhos de um pequeno vilarejo, a cidade estará, de certa forma, acompanhando um dos seus primeiros moradores de volta à terra onde ajudou a fincar raízes.
O velório acontece na Casa da Saudade, onde familiares e amigos prestam as últimas homenagens. O sepultamento está marcado para as 17 horas, no Cemitério Bom Jesus.
Castanheira perde um pioneiro. A história, porém, ganha mais um nome para lembrar.