Luiza Boer (PL) e Mabel (PSD) foram as mais votadas para a Câmara Federal e Legislativo Estadual.
As eleições deste domingo, 04, foram acompanhadas em Castanheira com especial expectativa quando o assunto era a votação para o Senado, a Câmara Federal e a Assembleia Legislativa. Por diferentes circunstâncias, o desempenho dos candidatos mobilizou lideranças, grupos políticos e eleitores ao longo de todo o processo eleitoral.
Durante a campanha, praticamente todos os personagens políticos do município estiveram envolvidos, em maior ou menor intensidade, na busca de votos para os candidatos de sua preferência, da Presidência da República à Assembleia Legislativa. Na disputa pelo Senado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa, porém, em muitos casos as escolhas ultrapassaram os limites partidários, motivadas também por relações pessoais, compromissos assumidos e vínculos construídos ao longo dos anos.
Nas diversas reuniões realizadas em Castanheira, um dos temas mais destacados foi o compromisso dos candidatos com o município, especialmente por meio das chamadas emendas parlamentares. Em alguns casos, porém, chamou a atenção o apoio a nomes que, conforme levantamento feito durante a campanha, não apresentavam histórico conhecido de destinação de recursos para Castanheira. Ainda assim, apareceram com destaque em materiais de campanha e nos chamados “santinhos”.
Outro fator que despertava curiosidade — ou ansiedade, dependendo do grau de envolvimento de cada grupo — era a representatividade regional. Alguns dos candidatos tinham ligação direta com a região Noroeste, especialmente com Juína. Entre os nomes mais conhecidos nesse critério estava Mabel de Fátima Milanezi Almici, candidata a deputada estadual pelo PSD e ex-prefeita de Castanheira por dois mandatos.
Com a totalização dos votos, algumas surpresas ficaram evidentes e ajudaram a desenhar um retrato particular da eleição em Castanheira.
Senado teve disputa apertada no município
Na disputa pelo Senado, o resultado em Castanheira chamou atenção pelo equilíbrio entre Mauro Mendes, do União Brasil, e Zé Medeiros, do PL. A diferença foi de apenas dois votos: 2.110 a 2.108.
O resultado ganha significado ainda maior diante da trajetória de Mauro Mendes em relação ao município, onde, segundo registros locais, o ex-governador teve participação de destaque em ações e investimentos durante suas passagens pelo Governo do Estado. A votação de Medeiros, por outro lado, evidenciou a força do bolsonarismo no cenário político nacional e estadual.
Janaína Riva, do MDB, alcançou 1.606 votos em Castanheira, correspondentes a 20,27%, resultado que demonstrou a presença de sua candidatura no município. No Estado, entretanto, ela terminou a disputa com 493.894 votos, ficando em terceiro lugar.
A família Riva e o fim de um ciclo eleitoral
A eleição também marcou um momento importante para a família Riva. A derrota de Janaína Riva na disputa pelo Senado e o desempenho de sua irmã, Jéssica Riva, candidata à Assembleia Legislativa, encerram, neste pleito, uma trajetória de forte presença eleitoral da família iniciada com a eleição de José Riva para o parlamento estadual, em 1994.
Jéssica, que esteve em Castanheira durante a campanha, buscava uma vaga na Assembleia Legislativa, mas não conseguiu alcançar a votação necessária para a eleição.
Câmara Federal teve forte presença regional
Para a Câmara Federal, Luiza Boer, do PL, de Juína, foi a candidata mais votada em Castanheira, com 819 votos. Na sequência apareceram o coronel Assis, também do PL, com 526; Fábio Garcia, do União Brasil, com 432; Altir Peruzzo, do PT, com 410; e Thiago Boava Hey Boy, do PL, com 373 votos.
Entre esses cinco mais votados no município, Luiza Boer e Altir Peruzzo representavam diretamente a região Noroeste, mas não conseguiram a eleição. Os demais nomes da relação foram eleitos e deverão assumir seus mandatos em Brasília a partir de fevereiro de 2027.
Mabel confirma liderança local
Na disputa pela Assembleia Legislativa, Mabel de Fátima Milanezi Almici, do PSD, confirmou a expectativa e foi a candidata mais votada em Castanheira, com 660 votos.
A ex-prefeita, que administrou o município por dois mandatos, realizou uma campanha considerada simples em comparação com estruturas eleitorais que movimentaram investimentos maiores ao longo do processo. Ainda assim, conseguiu superar os demais concorrentes no município.
Entre os cinco mais votados, Dilmar Dal Bosco, do União Brasil, ficou em segundo lugar, com 575 votos, seguido de Jéssica Riva, do MDB, com 337; Leo Bertolin, também do MDB, com 184; e Diego Guimarães, do Republicanos, com 165 votos.
O resultado revela também uma significativa fragmentação da votação em Castanheira e na região Noroeste. A eleição mostrou que a proximidade territorial ou a chamada representação regional não foi, por si só, suficiente para concentrar os votos.
Na avaliação de observadores ouvidos pelo Castanheira News, diferentes fatores contribuíram para esse cenário, entre eles as relações pessoais, a atuação das lideranças locais, os investimentos realizados pelas campanhas e, principalmente, o peso das emendas parlamentares na construção da imagem de candidatos que já possuem atuação no Legislativo.
Mais do que apontar apenas vencedores e derrotados, os números de Castanheira deixam um retrato de como o eleitorado local distribuiu suas preferências entre diferentes projetos, partidos, relações regionais e trajetórias políticas.