Clima de expectativa toma conta da cidade em véspera das eleições, especialmente em relação ao cenário nacional, pois pesquisas indicam vitória da direita no Estado.
Uma carreata de apoiadores da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), realizada no final da tarde deste sábado, 03, marcou o dia que antecede as eleições em Castanheira. Com bandeiras, músicas relacionadas ao candidato e a animação de um locutor convidado, muitos castanheirenses participaram da mobilização, demonstrando confiança na vitória do candidato do PL no município, em uma disputa direta com o presidente Lula (PT), apontados pelas pesquisas como os dois nomes mais competitivos na corrida ao Palácio do Planalto. "O movimento foi expontâneo, fomentado a partir de um grupo formado no WhatsApp", disse um apoiador.
Flávio e Lula em Castanheira e no Estado
O assunto do momento em Castanheira, na região, em Mato Grosso e no país foi, naturalmente, a expectativa em torno das eleições deste domingo, 04. Em Mato Grosso, tradicionalmente identificado com posições políticas de direita, a expectativa em torno do desempenho de Flávio Bolsonaro é ainda maior. A última pesquisa divulgada para o Estado, pelo Instituto Quest, aponta 50% para o candidato do PL, contra 25% para Lula (PT), diferença que acompanha, em grande medida, o comportamento eleitoral observado nos últimos pleitos. Em Castanheira, essa vantagem também encontra respaldo no resultado de 2022: no primeiro turno daquele ano, Jair Bolsonaro obteve 59,84% dos votos, contra 34% de Lula, confirmando a forte preferência do eleitorado local pelo campo político representado atualmente por Flávio Bolsonaro.
Tradição de direita
Mato Grosso tem, historicamente, na direita um de seus campos políticos mais fortes. Poucos candidatos identificados com posições de esquerda conseguiram romper essa predominância ao longo das últimas décadas. Nesse cenário, resultados expressivos de candidatos desse campo político assumem dimensão ainda maior, como ocorreu com Ságuas Moraes (eleito) e, mais recentemente, com Rosa Neide, ambos do PT. Em 2022, Rosa Neide recebeu 124.671 votos para a Câmara Federal, enquanto Fábio Garcia, do União, segundo colocado, alcançou 98.704, na disputa pela Câmara Federal. Mesmo assim, pelo sistema proporcional, foi o Coronel Assis, também do União, com 47.479 votos, quem também conquistou uma cadeira. O episódio demonstra que, nas eleições proporcionais, votação individual e eleição não são necessariamente sinônimos.
Pesquisas do sábado
Pesquisa eleitoral é, historicamente, um assunto cercado de debates e controvérsias na cultura política brasileira. Quando o resultado contraria expectativas, surgem questionamentos; quando favorece determinado campo, tende a ser recebido com entusiasmo. Ao longo deste sábado, eleitores e grupos políticos acompanharam com expectativa a divulgação dos últimos levantamentos nacionais, especialmente Datafolha, Quaest e CNT/MDA. Os números apresentados confirmaram, com diferenças entre os institutos, uma disputa bastante apertada na liderança.
Datafolha:
Lula (PT) – 47%
Flávio Bolsonaro (PL) – 46%
Ronaldo Caiado (PSD) – 4%
Renan Santos (Missão) – 3%
Augusto Cury (Avante) – 3%
Romeu Zema (Novo) – 1%
Os demais não pontuaram.
Quest:
Lula (PT) – 45%
Flávio Bolsonaro (PL) – 42%
Ronaldo Caiado – 4%
Renan Santos – 3%
Augusto Cury – 3%
Romeu Zema – 1%.
CNT/MDA:
Lula (PT) – 43,1%
Flávio Bolsonaro (PL) – 38%
Augusto Cury (Avante) – 3,2%
Ronaldo Caiado (PSD) – 3%
Renan Santos (Missão) – 1,5%
Romeu Zema (Novo) – 0,8%
Brancos/nulos – 5%
Indecisos – 4,7%.
Disputa apertada
Os três levantamentos, apesar das diferenças nos percentuais, apresentam um elemento comum: a proximidade entre os dois candidatos que lideram a corrida. Em pesquisas realizadas nas últimas semanas, essa tendência de disputa apertada, também vinha sendo observada, com Lula e Flávio Bolsonaro alternando pequenas vantagens dentro das respectivas margens de erro, estabelecendo-se empate técnico. O cenário reforça a característica de uma eleição marcada pela elevada competitividade, na qual diferenças aparentemente pequenas podem ganhar importância no resultado final.
Decisão no domingo?
Outra questão que alimentou as expectativas ao longo deste sábado foi a possibilidade de a eleição presidencial ser decidida já no primeiro turno. Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro se manifestaram durante o dia avaliando que isso pode acontecer. Para que um candidato seja eleito amanhã, entretanto, será necessário alcançar mais de 50% dos votos válidos. Caso nenhum deles consiga esse percentual, os dois candidatos mais votados disputarão o segundo turno, marcado para 25 de outubro. A resposta definitiva, portanto, estará nas urnas e, posteriormente, na apuração oficial da Justiça Eleitoral.