Castanheira encontrou uma maneira peculiar de manter a luta contra o câncer desenvolvida pelos Hospitais de Barretos e de Cuiabá.
Os dias 5 e 6 de setembro já passaram, mas a causa que levou Castanheira à Praça 04 de Julho e, depois, ao Parque de Exposições continua presente. Promovida pelo movimento voluntário Direito de Viver, a programação reuniu fé, música, gastronomia, bingo e leilão em torno de um propósito que há anos mobiliza a comunidade: contribuir com o Hospital de Amor, de Barretos, e ajudar a transformar solidariedade em esperança para quem enfrenta o câncer.
Na noite do dia 5, a Missa Sertaneja, realizada na Praça 04 de Julho, abriu a programação. Depois da celebração, o público ainda teve show gospel e apresentação com Moda de Viola, numa combinação que já começa a ganhar identidade própria no calendário comunitário. O ofertório da missa foi destinado ao Hospital de Amor. No dia seguinte, o Parque de Exposições recebeu o Almoço Direito de Viver, seguido de bingo e leilão de diversos itens. A cartela, vendida a R$ 50,00, ofereceu como prêmios uma motocicleta, uma bezerra, vales-compras e vale-combustível.
Mas os números e os prêmios são apenas a parte mais visível de uma história maior. O que essas iniciativas revelam é que Castanheira construiu, ao longo do tempo, uma verdadeira cultura da solidariedade. Quando uma causa mobiliza a comunidade, surgem voluntários, doações, criatividade e, principalmente, disposição para transformar encontros coletivos em ajuda concreta.
A luta contra o câncer é uma das expressões mais fortes desse espírito. Ao lado do Direito de Viver, que direciona suas ações ao Hospital de Amor de Barretos, existe o Abrace a Vida, também formado por voluntários e voltado ao Hospital de Câncer de Mato Grosso, sob a coordenação da Loja Maçônica Monte Moriá. São duas frentes distintas, mas movidas por uma mesma compreensão: diante de uma doença que atinge tantas famílias, a comunidade pode fazer sua parte.
E Castanheira encontrou uma maneira peculiar de manter as duas causas permanentemente na agenda. Como o Leilão de Gado costuma ser uma das principais forças de arrecadação, os dois movimentos passaram a se alternar na realização desse tipo de evento. Quando um promove o leilão, o outro mantém sua mobilização de outra forma. E, nos anos em que não realiza o leilão, entra em cena o almoço, preservando a corrente de apoio às instituições beneficiadas.
Com o tempo, cada movimento também foi deixando sua marca na cultura local. O Abrace a Vida tem no tradicional Porco no Tacho uma de suas principais expressões, uma iniciativa que ultrapassou o caráter beneficente e já integra a agenda gastronômica e cultural de Castanheira. O Direito de Viver, por sua vez, encontrou na Missa Sertaneja uma maneira de reunir religiosidade, música e tradição regional em torno de uma causa social.
É uma dinâmica interessante: a solidariedade se alimenta da cultura, e a cultura também passa a ser alimentada pela solidariedade.
Por isso, a programação dos dias 5 e 6 não deve ser lembrada apenas como mais um almoço, mais uma missa ou mais um bingo. Ela representa a continuidade de uma prática que se tornou parte da vida comunitária. Uma prática que também inclui transparência: o próprio movimento mantém um espaço de prestação de contas, permitindo que a comunidade acompanhe o destino daquilo que ajudou a arrecadar.
No fim, talvez seja essa a maior riqueza de iniciativas como as do Direito de Viver e do Abrace a Vida: elas mostram que uma cidade não se mede apenas por suas obras, seus números ou pelo tamanho de sua população. Também se mede pela capacidade de seus moradores perceberem a dor do outro como uma causa que merece ser abraçada.
E, em Castanheira, essa capacidade ganhou tradição, calendário, voluntários e, sobretudo, coração.