A decisão integra uma resolução voltada à doutrina e à prática da igreja, aprovada na terça-feira (28).
A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), reunida em seu 41º Supremo Concílio, em Manaus (AM), aprovou uma recomendação para que seus membros, diáconos, presbíteros e pastores não participem nem apoiem o movimento Legendários e outras organizações consideradas de natureza semelhante. A decisão foi tomada na terça-feira (28), após análise de uma comissão teológica da denominação.
Em nota divulgada nesta quarta-feira (29), o movimento Legendários afirmou que recebeu a decisão "com serenidade e respeito", ressaltando que a deliberação da IPB tem caráter de recomendação às igrejas locais e reafirmando seu compromisso com o fortalecimento das famílias, o desenvolvimento de lideranças e a promoção de ações comunitárias.
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Durante o 41º Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), realizado em Manaus (AM), os representantes da denominação aprovaram uma recomendação para que membros, diáconos, presbíteros e pastores não participem nem apoiem o movimento Legendários e outras organizações com características semelhantes. A decisão integra uma resolução voltada à doutrina e à prática da igreja, aprovada na terça-feira (28).
O parecer foi elaborado pela comissão teológica da denominação após consulta apresentada por integrantes da IPB no Tocantins, que solicitaram um posicionamento oficial diante da expansão do movimento em comunidades presbiterianas. Segundo o documento aprovado, as metodologias adotadas pelos Legendários são consideradas incompatíveis com a tradição histórica e a doutrina reformada da Igreja Presbiteriana do Brasil.
Entre os principais pontos apresentados pela comissão estão críticas ao uso de isolamento na natureza, testes de resistência física e emocional, experiências de forte impacto psicológico e práticas que, segundo a IPB, acabam reduzindo o papel central das Escrituras Sagradas e da vida comunitária da igreja no processo de formação espiritual.
O parecer também manifesta preocupação com aspectos como a privação física, o sigilo em torno das atividades, a utilização de juramentos, uniformes padronizados, discursos motivacionais e estratégias de marketing. Na avaliação da comissão, esses elementos podem contribuir para uma espécie de "mercantilização da fé" e gerar divisões dentro das igrejas locais.
A recomendação foi aprovada em meio aos debates do Supremo Concílio, que também elegeu o reverendo Juarez Marcondes Filho para a presidência da Igreja Presbiteriana do Brasil no quadriênio 2026–2030. Durante a assembleia, outros temas relevantes para a denominação também estiveram em pauta, como a relação entre fé e política, a participação das mulheres em diferentes atividades da igreja e os desafios do relacionamento com as novas gerações.
A resposta dos Legendários
Após a divulgação da decisão, o movimento Legendários publicou uma nota oficial afirmando que recebeu a deliberação "com serenidade e respeito". A organização destacou que a resolução aprovada pela IPB não representa uma proibição formal, mas uma recomendação para que cada igreja local oriente seus membros conforme seu entendimento.
O movimento afirmou ainda que permanece comprometido com sua missão de fortalecer famílias, desenvolver lideranças e promover ações de impacto positivo nas comunidades. Segundo os Legendários, o grupo está presente em 24 países e reúne mais de 220 mil participantes.
O que é a Igreja Presbiteriana do Brasil
A Igreja Presbiteriana do Brasil é uma das mais tradicionais denominações protestantes do país. De tradição reformada, fundamenta sua fé nas Escrituras Sagradas e nas doutrinas da Reforma Protestante do século XVI, tendo como uma de suas principais referências teológicas os ensinamentos de João Calvino. Sua estrutura de governo é representativa, sendo conduzida por presbíteros e pastores reunidos em concílios, culminando no Supremo Concílio, instância máxima de deliberação da denominação.
As decisões tomadas pelo Supremo Concílio orientam a vida doutrinária, administrativa e disciplinar da igreja em todo o território nacional, buscando preservar a unidade da fé, a fidelidade às Escrituras e os princípios confessionais da tradição reformada.