Quando se fala em cavalgada em Castanheira, o olhar quase sempre encontra o caminho de volta ao passado.
Há fotografias que não guardam apenas imagens. Guardam também sons, cheiros e memórias. Esta é uma delas. Ao olhar para esse registro antigo das cavalgadas de Castanheira, quase se pode ouvir novamente o compasso firme dos cascos batendo na terra, levantando poeira nas ruas ainda jovens da cidade.
Naquele tempo, as cavalgadas eram mais que um desfile. Eram encontro, celebração e tradição. Pelas estradas e pelas ruas passavam cavaleiros de todas as idades, muitos deles acompanhados de seus filhos, formando pequenos retratos de família sobre selas gastas pelo uso. Pais ensinavam o caminho, filhos aprendiam o ritmo do trote — e assim a cultura ia passando de geração em geração.
Havia algo de festivo e de simples nessas manhãs ou tardes de cavalgada. Chapéus bem ajustados, arreios preparados com cuidado, e o orgulho de participar de um costume que ajudava a contar a própria história da cidade. Alguns montavam cavalos, outros até touros, e todos seguiam juntos, como se o tempo andasse ao passo dos animais.
Muitas dessas cavalgadas aconteciam nos tempos dos rodeios no Parque de Exposições — tempos que ainda hoje despertam saudade em quem viveu aqueles dias de festa e encontro. Mais recentemente, a tradição voltou a ganhar força com a inauguração da Arena Country, no Rancho Vitória, propriedade de Marcos Rogério Teixeira, trazendo novamente as cavalgadas para o calendário da cidade. Foi ali que, na semana passada, ocorreu a cavalgada em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, com a 2ª Cavalgada Feminina “Elas Country”, conduzida por Tainara.
Mas, quando se fala em cavalgada em Castanheira, o olhar quase sempre encontra o caminho de volta ao passado. Muitos dos que aparecem nas fotos antigas — meninos e meninas montados em seus cavalos — cresceram, seguiram seus caminhos e hoje são profissionais respeitados em diversas áreas. Ainda assim, nessas imagens permanecem eternamente jovens, cavalgando pela memória da cidade.
Nesta edição da editoria “A História da Foto”, com uma contribuição do acervo de Zilda Stangherlin, vemos um registro do 1º Desfile de Cavalgada de rodeio em Castanheira. No centro da imagem está o cavaleiro Rafael Marcantonio, hoje conhecido veterinário. Filho do casal pioneiro do município, Jorge Marcantonio — responsável pelo escritório da CODEMAT, que impulsionou o setor imobiliário nos primeiros anos da cidade — e da professora Maria Odete, uma das primeiras educadoras de Castanheira.
A fotografia, mais do que um registro, é uma janela para um tempo em que a cidade ainda escrevia seus primeiros capítulos — e em que cada cavalgada ajudava a marcar o compasso dessa história.