Mais do que recordar a forma como uma vida terminou, vale preservar a maneira como ela foi vivida.
Há notícias que chegam depressa. Mas há histórias que merecem permanecer. Em Castanheira, nesta quarta-feira (29), enquanto muitos procuram compreender a tragédia ocorrida na tarde anterior, familiares e amigos preferem recordar quem foi Jânio Quirino da Silva muito antes de seu último capítulo.
Filho de Orides Quirino da Silva e Maria Eunice da Silva, natural de Ivolândia (GO), Jânio tinha 53 anos e fez de Castanheira o lugar onde escreveu grande parte de sua história. Durante mais de três décadas, trabalhou em fazendas da região, operando motosserra, construindo cercas, conduzindo tratores e vivendo da força do próprio trabalho. Era conhecido como alguém que nunca teve receio do serviço pesado.
Sua caminhada, como a de tantos outros, também conheceu momentos difíceis. Enfrentou fragilidades e tropeços, mas jamais deixou de ser reconhecido por quem conviveu com ele como um homem simples, prestativo e trabalhador. Afinal, nenhuma vida é feita apenas de seus dias mais difíceis.
Entre as lembranças que hoje circulam na Casa da Saudade estão aquelas que revelam a pessoa por trás do trabalhador. Jânio gostava de cozinhar, apreciava pimentas e mantinha sempre algumas variedades por perto. Amigos recordam sua habilidade durante uma carneada, outros lembram de pescarias, de conversas e de momentos compartilhados sem pressa.
Uma pequena história resume bem a delicadeza das despedidas. Um amigo traria de Minas Gerais uma bebida que Jânio havia encomendado. A entrega nunca acontecerá. Às vezes, são justamente esses gestos simples que revelam o tamanho da ausência deixada por alguém.
Na tarde de terça-feira (28), quando retornava para a zona rural em sua motocicleta, levando na garupa ferramentas e motosserras, sua caminhada foi interrompida de forma repentina. As circunstâncias da ocorrência serão esclarecidas pelas autoridades competentes. À família e aos amigos, porém, resta um vazio que nenhuma investigação consegue preencher.
No velório, a pergunta que se repete é a mesma que acompanha tantas despedidas inesperadas: "Por quê?". Talvez não exista resposta capaz de aliviar a dor de quem fica.
Mais do que recordar a forma como uma vida terminou, vale preservar a maneira como ela foi vivida. Nas estradas de chão, nas propriedades onde trabalhou, nas amizades que construiu e nas pessoas que ajudou ao longo dos anos, Jânio deixa marcas que o tempo dificilmente apagará.
Como escreveu Santo Agostinho: "A morte não é nada. Eu somente passei para o outro lado do caminho." Para quem permanece, fica a saudade. Para quem conheceu Jânio, permanece também a lembrança de um homem cuja história jamais poderá ser resumida ao fato que marcou sua despedida. Seu sepultamento ocorre às 08 horas desta quinta-feira, 30, no Cemitério Bom Jesus, com atos conduzidos pela Funerária São José.