As despedidas de Edivaldo acontecem nesta terça-feira, na Casa da Saudade. O sepultamento está previsto para as 17 horas, no Cemitério Bom Jesus, em Castanheira.
Edivaldo Dutra da Silva, o Rato, deixa lembranças de trabalho, amizade, dedicação à família e uma fé que permaneceu mesmo quando a ciência já mostrava seus limites
No limite extremo da dor, na madrugada desta terça-feira, 22, no Hospital Municipal de Juína, Edivaldo Dutra da Silva ainda encontrou forças para balbuciar uma única palavra à esposa, Glecey Ferreira, que permaneceu ao seu lado: “Socorro!”. Foi uma palavra pequena diante da dimensão daquele momento, mas suficiente para traduzir a luta de um homem que, por meses, enfrentou o câncer com coragem.
Filho de Castanheira, nascido em 17 de abril de 1984, Edivaldo, carinhosamente chamado de Rato por alguns, construiu uma vida marcada pelo gosto de trabalhar e pela disposição em ajudar. Fez história com as mãos, trabalhando com calhas e rufos e, sempre que possível, também lidando com o gado.
No lazer, as redes sociais guardam registros de alguns dos prazeres de sua geração, entre eles as trilhas de motocicleta. E havia ainda uma tradição que Glecey recorda com carinho: churrasco nos fins de semana, quando familiares costumavam se reunir ao redor da mesa. Daqui para frente, uma cadeira vazia poderá contar, silenciosamente, muitas histórias.
Respeitando o momento da família, o Castanheira News evitou transformar a despedida em uma sucessão de entrevistas. Mas duas vozes próximas ajudam a revelar um traço que talvez defina Edivaldo mais do que qualquer outra coisa: seu esforço para fazer felizes aqueles que amava. “Melhor pessoa que já conheci, e sou muito grata por ele”, afirma Glecey. A enteada Yasmin resume sua experiência ao lado dele em poucas palavras: “Me fez muito bem!”
A luta contra o câncer levou Edivaldo para Campinas, em 28 de setembro de 2024, onde familiares buscaram, no Hospital da PUC, alternativas para impedir o avanço da doença. A medicina fez o que estava ao seu alcance. Até uma possibilidade experimental foi considerada, mas as plaquetas baixas impediram que o procedimento tivesse início. Vieram meses em que a ciência, com toda a sua capacidade, encontrou seus próprios limites.
Então, para Edivaldo e para os que o cercavam, restou ainda mais forte aquilo que nunca havia deixado de existir: a fé. Cristão e membro ativo da Igreja Batista local, ele e seus familiares mantiveram a esperança em uma intervenção de Deus. E, diante daquilo que os homens não conseguem explicar, a fé apontava também para a eternidade.
A Escritura diz: “Preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus santos” (Salmo 116.15). Para quem crê, a morte não deixa de ser dolorosa, mas também não é a palavra final. E é nessa perspectiva que a família se despede de Edivaldo: com lágrimas pela ausência, mas também com a esperança cristã de que aquele que partiu está agora descansando no Senhor.
Uma das últimas manifestações de Glecey nas redes sociais dimensiona o presente que foi a relação construída desde o casamento, em 2018. Em 28 de julho, escreveu: “Te amo, na alegria, na tristeza, na saúde e na doença.” O amor vivido ao longo desses anos encontrou, naquela ocasião, uma bonita comparação em uma música: como peixes que não vivem sem o mar. Agora, a lembrança desse amor permanece para enfrentar a ausência.
As despedidas de Edivaldo acontecem nesta terça-feira, na Casa da Saudade. O sepultamento está previsto para as 17 horas, no Cemitério Bom Jesus, em Castanheira. Antes, às16 horas, o pastor Edson Marcos deverá ministrar uma palavra de consolo aos presentes e também de gratidão a Deus pela vida do amigo e da ovelha que partilhou parte de sua caminhada ministerial. “Estava sempre à disposição para ajudar”, testemunha o líder espiritual.
E talvez seja justamente essa disposição que melhor resuma a passagem de Edivaldo entre nós: um homem que, mesmo diante de suas próprias lutas, encontrou espaço para trabalhar, conviver, reunir a família, ajudar e fazer bem a quem estava por perto. A dor da despedida é real. Mas também permanece a memória de uma vida que deixou marcas.